Um galego no Império Pequeno

Além da linha inimiga

May 11th, 2006 at 9:49 am

Heliocoptero dixo:

in: Opiniom

1) A diferença de pronúncia em nada determina que sejam línguas distintas: a mesma distinção fonética encontras entre o português do Porto e o de Faro, o de Lisboa e o da Madeira ou dos Açores: acentuação distinta, vocabulário próprio, fonética peculiar, contracção de palavras e expressões. Ainda assim, não deixa de ser português. A pronúncia apenas não é suficiente para considerar duas formas de falar como línguas distintas.

2) As diferenças que existem entre o galego e o português são da mesma ordem, tal como são, aliás, as diferenças entre o português do Brasil e o português de Portugal. Se em terras de Vera Cruz eles precisam de legendas para entender o que se diz em Portugal, em terras portuguesas isso não é preciso (nem nunca foi): o problema está em que enquanto nós portugueses estamos habituados ao sotaque brasileiro, os brasileiros têm um contacto muito mais reduzido com o sotaque de Portugal. Mas entendo que um castelhano como tu sinta dificuldades em perceber o que os outros dizem e pense que sotaques diferentes equivalem a idiomas distintos: o grau de compreensão de línguas estrangeiras nunca foi muito grande por esses lados e no Estado espanhol os filmes são dobrados. O mal é o mesmo que o dos brasileiros: falta de hábito!

3) A pretensão de preservar a identidade linguistica da Galiza não é equivalente a querer a união politica da mesma nação com Portugal, do mesmo modo que a unidade linguistca luso-brasileira não advoga um Estado luso-brasileiro. Também a Austria não procura uma união política com a Alemanha, muito embora a língua nos dois países seja o alemão, nem os cantões suiços de língua francesa estão a pensar em unir-se a França.

4) A Galiza é uma nação, tal como a Catalunha e o País Basco. Constitui uma entidade histórico-cultural distinta do resto de Espanha e a existência da nação galega é indirectamente reconhecida no actual Estatuto Autonónimo Galego, onde a Galiza é referida como uma “nacionalidade histórica”. Ora, se há uma nacionalidade, há consequentemente uma nação, que só não é mencionada com todas as letras porque o Estado espanhol vive ainda a fantasia de uma Espanha una e mononacional.

A mim dá-me bastante “lástima” uma Espanha que ainda não acordou do sonho colonial, que insiste em manter duas cidades-colónias em Marrocos, mas acha que tem autoridade moral para pedir Gibraltar de volta. Parece que a sua vida é uma eterna miragem franquista, a mesma que insiste que Espanha é um Estado uno, monocultural e mononacional. Mas as miragens não duram para sempre…

Fonte

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