Realizou estas afimações numa entrevista publicada na revista NS o passado sábado 23
PGL-Portugal.- Saiu no passado sábado, na revista NS, revista/suplemento semanal gratuito, do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias, um artigo sobre Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, intitulado «O Fidalgo do Minho». Até aqui nada seria especial, porque Francisco Sampaio é uma figura mediática, com frequentes aparições em programas de rádio, TV ou artigos de jornais e revistas, de nível nacional e mesmo internacional. Agora, a revelação da sua identidade «galega» é-o. [+...]
Algumas das suas afirmações neste artigo, numa revista que deve ser das de maior tiragem a nível nacional (fruto de ter a sua distribuição associada aos gigantes JN e DN), são excepcionais e até mesmo históricas. Pensamos que é a primeira vez que uma figura pública do norte, que navega entre os mares da política nacional e da cultura, as fez.
Transcrevemos abaixo algumas delas (apresentamos abaixo cópia integral do artigo, em pdf, para descarga):
«Francisco José Torres Sampaio, 70 anos, define-se galego. Para ele, a fronteira norte de Portugal é um acaso político». «Portugal nasceu aqui e é preciso que tenhamos brio nisso». Salientamos que Francisco Sampaio é natural de Braga, mas está há muitos anos ligado a Viana do Castelo, vivendo actualmente em Vila Praia de Âncora. É licenciado em Ciências Históricas pela Universidade do Porto e tem uma pós-graduação em Direcção de Empresas pela Universidade de Navarra.
«Se somarmos os galegos aos três milhões de portugueses do Norte, já somos sete milhões». disse, exemplificando assim as potencialidades do mercado turístico conjunto, do noroeste peninsular.
«Sou galego, do rio Douro para baixo são mouros». Abraça o jornalista, afável, depois da tirada. Quando sabe que ele nasceu em Braga, vindo de Lisboa para o entrevistar, e que o fotógrafo subiu do Porto para o retratar, matiza o discurso e ironiza: «Mouros, são do Cávado para baixo. O Porto ...».
De 'galegos' e 'mouros'
Da leitura, do acima exposto, devemos compreender o sentido que Francisco Sampaio deu às suas afirmações. Podemos notar claramente que Francisco Sampaio as faz num sentido jucoso, brincalhão, tão frequente entre as gentes do norte, provocando o entrevistador. Nada mais.
Mas aqui também devemos explicar o sentido de «galegos» vs «mouros».
Assim, e considerando que estas afirmações dentro do contexto, revelam que Francisco Sampaio se afirma conscientemente como pertencente a uma outra identidade cultural, a dos «galegos», que se contrapõe a uma outra, aos «outros», aos «mouros», isto sem sentido xenófobo ou racista, usando simplesmente esse nome para a identidade de um outro grupo, a que se poderá dar outros nomes, como «lusitanos».
No norte, a definição de «mouros» é usada principalmente como provocação para com o outro grupo, salientado a diferença e uma identidade cultural diferente da destes. No centro/sul, também denominam os do norte como «galegos», sempre sem o referido conteúdo xenófobo, mas sim simplesmente como identificação, desse outro grupo cultural diferente do deles.
Assim, consideramos que Francisco Sampaio brinca com os «mouros», mas não com a sua identidade galega. Afirma-a claramente neste artigo. E é isto que consideramos, simplesmente, como histórico. Será que algo está a mudar nesta beira do Minho?
chuzame -