Um galego no Império Pequeno

Além da linha inimiga

March 27th, 2007 at 11:12 am

Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, afirma-se galego

Francisco Sampaio Realizou estas afimações numa entrevista publicada na revista NS o passado sábado 23

PGL-Portugal.- Saiu no passado sábado, na revista NS, revista/suplemento semanal gratuito, do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias, um artigo sobre Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, intitulado «O Fidalgo do Minho». Até aqui nada seria especial, porque Francisco Sampaio é uma figura mediática, com frequentes aparições em programas de rádio, TV ou artigos de jornais e revistas, de nível nacional e mesmo internacional. Agora, a revelação da sua identidade «galega» é-o. [+…]

Algumas das suas afirmações neste artigo, numa revista que deve ser das de maior tiragem a nível nacional (fruto de ter a sua distribuição associada aos gigantes JN e DN), são excepcionais e até mesmo históricas. Pensamos que é a primeira vez que uma figura pública do norte, que navega entre os mares da política nacional e da cultura, as fez.

Transcrevemos abaixo algumas delas (apresentamos abaixo cópia integral do artigo, em pdf, para descarga):

«Francisco José Torres Sampaio, 70 anos, define-se galego. Para ele, a fronteira norte de Portugal é um acaso político». «Portugal nasceu aqui e é preciso que tenhamos brio nisso». Salientamos que Francisco Sampaio é natural de Braga, mas está há muitos anos ligado a Viana do Castelo, vivendo actualmente em Vila Praia de Âncora. É licenciado em Ciências Históricas pela Universidade do Porto e tem uma pós-graduação em Direcção de Empresas pela Universidade de Navarra.

«Se somarmos os galegos aos três milhões de portugueses do Norte, já somos sete milhões». disse, exemplificando assim as potencialidades do mercado turístico conjunto, do noroeste peninsular.

«Sou galego, do rio Douro para baixo são mouros». Abraça o jornalista, afável, depois da tirada. Quando sabe que ele nasceu em Braga, vindo de Lisboa para o entrevistar, e que o fotógrafo subiu do Porto para o retratar, matiza o discurso e ironiza: «Mouros, são do Cávado para baixo. O Porto …».

De ‘galegos’ e ‘mouros’

Da leitura, do acima exposto, devemos compreender o sentido que Francisco Sampaio deu às suas afirmações. Podemos notar claramente que Francisco Sampaio as faz num sentido jucoso, brincalhão, tão frequente entre as gentes do norte, provocando o entrevistador. Nada mais.

Mas aqui também devemos explicar o sentido de «galegos» vs «mouros».

Assim, e considerando que estas afirmações dentro do contexto, revelam que Francisco Sampaio se afirma conscientemente como pertencente a uma outra identidade cultural, a dos «galegos», que se contrapõe a uma outra, aos «outros», aos «mouros», isto sem sentido xenófobo ou racista, usando simplesmente esse nome para a identidade de um outro grupo, a que se poderá dar outros nomes, como «lusitanos».

No norte, a definição de «mouros» é usada principalmente como provocação para com o outro grupo, salientado a diferença e uma identidade cultural diferente da destes. No centro/sul, também denominam os do norte como «galegos», sempre sem o referido conteúdo xenófobo, mas sim simplesmente como identificação, desse outro grupo cultural diferente do deles.

Assim, consideramos que Francisco Sampaio brinca com os «mouros», mas não com a sua identidade galega. Afirma-a claramente neste artigo. E é isto que consideramos, simplesmente, como histórico. Será que algo está a mudar nesta beira do Minho?

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  • Gabriel Costa
    2:21 am on November 8th, 2007 1

    como ex aluno desta mitica personagem que é o DR. F.sampaio, entendo perfeitamente as suas afirmações. Sempre defendeu que a galiza e o minho tem muito mais em comum do que o minho com tudo o que vem a sul do porto…

    dizer se galego apenas quer reforçar a identidade e necessidade destas regioes trabalharem juntas. Nao ha mal nas suas afirmações pois até é conhecido que muitos galegos preferiam pertencer a Portugal do que a Espanha (isso porque nao fazem noçao de como as coisas por ca andam).

    Quem reparar, durante os fins de semana, na quantidade assombrosa de turistas galegos que cruzam as estradas nortenhas ficará com certeza muito mais concordante com o facto de que nao ha assim muitas diferenças entre estes 2 povos.. A nivel paisagistico, folclorico, gastonomico e ate liguisticos somos muito semelhantes.

    Quando o Dr. F.Sampaio se diz galego quer dizer que pertence a uma região cultural que engloba Minho e Galiza não respeitando a linha imaginaria fronteiriça que nao muda nada nas pessoas…

    Finalmente, como toda a gente sabe… Não se pode levar a sério tdo o que este Bom Vivant diz..