Um galego no Império Pequeno

Além da linha inimiga

June 14th, 2007 at 10:38 am

O turismo rural nom recupera o interior e favorece a especulaçom

ImagePassou já mais dum lustro desde que o independentismo galego denunciara os efeitos da monoespecializaçom turística da economia galega, denunciando em solitário este fenómeno daquela incipiente. Sete anos depois, com a ‘Galiza-mercadoria’ convertida em um dos emblemas do bipartido autonomista, algumhas prediçons vam-se cumprindo. Um estudo oficial financiado pola Junta reconhece que o turismo rural ‘nom é motor económico para a Galiza nom urbana’. A autora, de nacionalidade alemá, declara aliás que favorece a especulaçom.

Marion Sparrer é professora da Escola Universitária de Turismo da Universidade da Corunha e autora do trabalho Turismo en el espacio rural y desarrollo apresentado recentemente na capital galega. As opinions moderadamente críticas da especialista sobre a presença e desenvolvimento no nosso País do chamado turismo rural nom deixam de surpreender-nos por provir dum sector do mundo académico totalmente orientado para o negócio turístico. Aliás, achegam novos dados e argumentos para a denúncia do processo de turistificaçom em que estamos imersos.

“Nom está integrado no espaço, porque nom existe vínculo entre as casas de turismo rural e o espaço em que se localizam”, destacou Sparrer na apresentaçom do livro, ao tempo que criticava que é muito frequente na Galiza que as casas de turismo rural se convirtam “em objectos de especulaçom imobiliária”, dado que muitas compras de casas para converte-las em alojamentos turísticos tenhem como objectivo –segundo a especialista- “beneficiar-se dos subsídios”.

Embora se tratar, com certeza, dumha especulaçom cativa, mais próxima da ‘picaresca’ do que do grande negócio especulativo, o resultado final seria que a repercusom no desenvolvimento local do turismo rural seja mínima.

Escasso impacto no desenvolvimento local

O processo seguido por muitos proprietários consiste em que, em quanto vence o prazo do compromisso legal com a administraçom pola abertura da casa, esta volve ser objecto de especulaçom, encerrando-se como estabelecimento público ou vendendo-se. Outra possibilidade é, segundo Sparrer, que as casas se aluguem a terceiros que desenvolvem a actividade empresarial enquanto nom transcorre o prazo legal estabelecido.

A especialista em Turismo assegura que os alojamentos de turismo rural som “pequenas ilhas” nas comarcas rurais centradas exclusivamente no serviço que oferecem e que, contra o que afirma o discurso institucional desenvolvido desde 1989, nom contribuem para o desenvolvimento das comarcas em que estám insertadas. Critica, também, que dada a inexistência dumha oferta complementar adequada às necessidades das populaçons locais e às demandas d@s usuári@s destes estabelecimentos, estes nom repercutem economicamente no ámbito local em que se enquadram.

Trabalho inestável e insuficiência de ingressos

A promoçom do turismo rural entrou a fazer parte desde 1992 dum dos planos monográficos do Programa de Desarrollo Turístico de Galicia que, trás a liquidaçom do sector agrogadeiro através da PAC, visava, segundo os seus autores, evitar o despovoamento rural e que este tipo de turismo se convertesse em “modo eficaz de irrigaçom turística do interior do país”. De facto, esta foi umha das políticas estrela de Fraga Iribarne. Contodo, outras especialistas na matéria, como a economista e técnica em Turismo da USC Begoña Besteiro, apontam na direcçom de Sparrer e asseguram que “apesar do rápido crecimento, as características estruturais deste tipo de turismo apresentam importantes problemas derivados da falta de vagas de trabalho estáveis”, umha característica intrínseca a um sector económico que já representa mais de 11% do PIB da CAG.

Além deste crítica objectiva da precariedade laboral, Besteiro assegura também que “muitos estabelecimentos fôrom abertos por gente sem relaçom directa com o sector agrário”, com o que se incumpre umha das premissas de evitar o despovoamento que, como se confirma nas últimas estatísticas publicadas polo IGE, continua avançando a bom ritmo. Aliás, a economista da USC declara que o turismo rural nom supom qualquer alternativa de autonomia económica dado que “os níveis de rendibilidade nom podem ser muito altos polo que nom deveria ser considerado como umha actividade exclusiva ou autosuficiente”.

Também na língua.

Este estudo confirma análises semelhantes de anos passados. Numha delas, redigida polo geógrafo Santos Solha, afirmava-se que a extensom do turismo rural -e por extensom da turistificaçom- está a mudar os hábitos idiomáticos em muitas zonas da Galiza, habitualmente monolíngües. As pessoas destas áreas adoitam passar-se ao espanhol para receber os estrangeiros, sem repararem tam sequer se estas percebem o galego.

Fonte: Galiza Livre

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