Um galego no Império Pequeno

Além da linha inimiga

March 26th, 2009 at 11:58 am

Galiza na ocupaçom napoleónica: um Estado independente durante cinco anos

“Com a ocupaçom napoleónica na península fomos na realidade um Estado independente durante cinco anos”

ImageTrás tantos anos de dominaçom espanhola, poucos galegos e galegas acreditam facilmente numha outra história que tivo o nosso país, essa na que somos o primeiro reino da Europa que se liberta do Império Romano, ou na que somos o primeiro povo que se independiza em todo o continente da ocupaçom napoleónica.

O Atlas histórico da Galiza, elaborado por José Manuel Barbosa Alvares e José Manuel Gonçales Ribeira, pretende subsanar esta eiva na imagem que, como povo, a Galiza tem de si própria. Nesta ocasiom falamos com J. M. Barbosa, que se encargou dos textos do atlas.

 
O Atlas histórico da Galiza nasceu, se nom me equivoco, da sua experiência nas aulas galegas, quando dous alunos ficavam abraiados ao ouvirem umha outra história da Galiza que lhes parecia inverosímil. Nom é ainda essa a reacçom da maioria da gente quando ouve falar de cousas como um “Reino galego”?

Sem qualquer dúvida. A gente do nosso país nom só ignora, mas desconhece totalmente qualquer elemento da memória histórica que nos envolve. Eu sempre digo que os dous piares mais importantes da consciência nacional som dous: a História que nos dá o conhecimento do passado para compreendermos o presente e podermos escolher livremente o nosso futuro; e a língua, elemento nom só identitário mas também elemento que nos da conhecimento da família humana na qual estamos inseridos. Ambos ligam-nos fortemente com muitos países do mundo que históricamente som “galegos”.

O desconhecimento desses dous elementos fai com que os galegos estejamos despistados a respeito de nós próprios e que nos seja difícil sair do atoleiro político, cultural, linguístico, económico, social, no que nos mexemos. Sem consciência nom há futuro.

Quem nos nega o auto-reconhecimento sabe bem o que fai.

Se você tiver que escolher alguns acontecimentos históricos especialmente esplendorosos -e também silenciados- do nosso povo, quais seriam?

A importância do Gallaeciense Regnum surgido em 411 como primeiro reino da Europa livre do Império Romano. O primeiro Estado do continente; Salientaria também a identidade galega ou galaica, se quigermos, do Christianorum Regnum medieval que a historiografia castelhanista identifica com Astúrias, Leom ou às vezes Castela e o seu protagonismo no medievo peninsular; O interessantíssimo episódio da uniom com Portugal no século XIV da mão do Rei Fernando I de Portugal e V da Galiza; A ideia de que tanto o Estado Português como o espanhol teem raizes originárias galaicas; O protagonismo do Reino da Galiza durante a ocupaçom napoleónica da península. Fomos na realidade um Estado independente durante cinco anos, com governo, fazenda, com relacionamento com países do exterior como o Reino Unido e fomos o primeiro território nom só da península em vermo-nos livre dos invasores, mas o primeiro da Europa… e ainda há mais eventos mas por enquanto podemos ficar com esses.

Os e as historiadoras mais actuais dos nacionalismos reconhecem a importância que tenhem os mapas para a identidade nacional, já que funcionam como um “logo”. Vocês dérom-lhe muita importância a isto no livro. Como evolucionou a “territorialidade” galega?

A evoluçom da territorialidade galega foi a dum país que nasceu com a vocaçom de Império e que foi declinando polos seus próprios conflitos internos. A ideia da península unificada foi antes do que qualquer outra, umha ideia galega. Essa ideia foi aproveitada por Castela que de começo fazia parte do mesmo reino, estava incluída no Gallaeciense Regnum medieval e finalmente foi ela quem unificou a maior parte da mesma sob o nome de Espanha. O apagamento do nome da Galiza da história oficial espanhola explica-se por sermos o elemento político a vencer. Assim, hoje o velho reino de Toledo é denominado de “Castela” a Mancha ou antes “Castela” a nova. Laim Entralgo no seu livro “A que llamamos España” diz que Andaluzia é “Castela” a novíssima… Que diriamos se em vez disso chamassemos à Estremadura “Galiza a Nova”…

Quero salientar que o nosso pensamento está longe de qualquer matiz que tenha a ver com o imperialismo. Consideramos que um imperialismo galego seria tam nefasto e negativo como o é hoje o imperialismo castelhano mas para nos exprimirmos e para que se nos entenda temos que chamar as cousas polo seu nome.

Umha das épocas nas que mais manipuladora foi a historiografia espanhola é, sem dúvida, na medieval. Que papel tinha a Galiza entom?

Simplesmente a hegemonia da península e isso é tremendamente perigoso para umha historiografia castelhanista que quer assentar um protagonismo inexistente de Castela quando tenciona ocupar toda a Hespéria sob um mesmo projecto político e linguístico.
Imaginemos umha história contada segundo os nossos parámetros. Que podemos pensar que aconteceria na península? Como seriam as tentativas de relacionamento entre as distintas nações e regiões que conformam os dous Estados português e espanhol? Como seria o protagonismo da Galiza dentro desse paradigma?
Entrevista ampliada em GalizaLivre
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